Tem ensaio de gestante que nasce da barriga. E tem ensaio que nasce da família inteira ao redor dela. O da Nina Pochmann tem muito disso: antes de ser uma sequência sobre espera, ele é uma sequência sobre vínculo.
A gente construiu o ensaio no estúdio, começando por imagens com o pai e o filho, em preto e branco, com uma linguagem limpa e direta. Gosto muito desse início porque ele não tenta explicar demais. É abraço, colo, mão, olhar e aquela bagunça bonita que existe quando uma família entra junto na fotografia.
Depois, a Nina aparece com o filho em imagens mais próximas, mais corporais, ainda em preto e branco. A fotografia fica mais gráfica, mas sem perder afeto. Em seguida, o ensaio abre para composições com a família inteira, brincadeiras, poses no chão e uma sensação mais solta. Esse trecho tem uma verdade boa: não é fotografia parada esperando acontecer, é família acontecendo dentro do estúdio.
Na parte final, a linguagem muda. A Nina aparece sozinha, em imagens mais editoriais, algumas com uma leitura quase de moda pela forma como corpo, roupa, pele e luz se organizam. O preto e branco dá mais força para a silhueta, enquanto as fotos em cor, com pele clara e luz suave, trazem um fechamento mais íntimo, mais delicado e mais silencioso.
Visualmente, algumas imagens conversam com uma tradição de retrato de estúdio muito limpa, onde poucos elementos sustentam tudo: corpo, luz, gesto e forma. Não é uma referência literal, mas existe ali algo da fotografia editorial que me interessa muito: quando a imagem não precisa de cenário demais para dizer o que precisa.
No fim, fotografar gestante é fotografar uma espera. Mas, nesse caso, é também fotografar uma casa antes dela mudar de novo. Um filho no colo, outro a caminho, um casal, uma família e esse intervalo bonito entre o que já existe e o que está chegando.
Vem fotografar a sua gestação ou a sua família com a gente.

